Caminhão também é cultura!

A vida nas estradas já foi tema de vários filmes, séries televisivas e músicas. Vamos conhecer algumas dessas obras?

Cinema

O grande herói de “Rocky, um lutador”, logo após a primeira fita da série, participou do filme F.I.S.T.(1978), que conta a história da consolidação de um sindicato de caminhoneiros nos Estados Unidos. Você consegue imaginar? Sylvester Stallone, quem diria!, já foi um caminhoneiro-sindicalista. Trata-se de uma história bastante comovente, sobre as precárias condições de sobrevivência dos trabalhadores americanos na década de 1930. Numa situação próxima à escravidão, caminhoneiros e operários se rebelam contra empresas inescrupulosas e iniciam uma luta por melhor reconhecimento profissional. Ao longo do filme, podemos ver todas as situações que ameaçam a atividade sindical até os dias de hoje: violência, corrupção, interesses pessoais que se sobrepõem às necessidades coletivas… Um ótimo filme, tanto por suas qualidades de entretenimento quanto por seu valor como documento histórico.

Ao que parece, Stallone gostou da vida na estrada. Em Falcão, o Campeão dos Campeões (1987), interpretou um caminhoneiro famoso por suas habilidades como lutador de “queda de braço”. Entre uma luta e outra, o campeão da boleia ainda tinha que brigar pela guarda do filho, contra um sogro desalmado. Para piorar tudo, o menino não gosta muito do pai e ainda perde a mãe – que estava doente. Um melodrama só. Não por acaso, esse filme se tornou um clássico da “Sessão da Tarde”. Vale assistir apenas para passar o tempo, com muita pipoca.

Ainda nas histórias de caminhoneiros lá nos Estados Unidos, você pode conferir a lenda do maior sindicalista de todos os tempos naquele país: Jimmy Hoffa (1913-1975). Esse controverso personagem foi uma liderança fundamental dos Teamsters, algo semelhante a um sindicato/central sindical e que congregava caminhoneiros (nos Estados Unidos, os sindicatos não precisam representar uma única categoria profissional). Duas histórias muito interessantes são mostradas no filme que conta a história de Hoffa (que é interpretado por Jack Nicholson). A primeira é o hábito dos caminhoneiros americanos de dirigir com um cigarro preso entre os dedos. Como as jornadas de trabalho eram massacrantes e havia o medo de dormir à direção, o cigarro garantia que, caso o caminhoneiro pegasse no sono, a brasa, queimando seus dedos, o acordasse. A outra lenda diz respeito ao destino do próprio Jimmy Hoffa. Ele simplesmente desapareceu, em 1975, e nunca mais foi encontrado. Muitos acreditam que o sumiço ocorreu por conta de disputas envolvendo a direção dos Teamsters e o relacionamento do sindicato com mafiosos. O filme Hoffa é de 1992 e foi dirigido por Danny DeVitto.

Para que gosta de um pouco mais de aventura há mais dois “clássicos”: Black Dog – Estrada Alucinante e Aventureiros do Bairro Proibido.

Em Black Dog, Jack Crews (Patrick Swayze) é um caminhoneiro que perdeu sua carta de habilitação quando foi condenado à prisão por conta de um acidente. Em sua liberdade condicional, Crews trabalha como mecânico numa oficina bastante simples e vive de forma modesta, mas sente-se feliz com a sua mulher e filha, de tal forma que recusa uma proposta de 10 mil dólares para transportar uma carga suspeita.

Ao saber que se não pagar os 9 mil dólares da hipoteca de sua casa ela será penhorada e terá de se mudar com a família, decide aceitar a oferta arriscada. Durante a viagem, perseguições e surpresas desagradáveis acontecem e ele acaba por descobrir que está fazendo o transporte de armas ilegais. Também descobre que seu chefe é corrupto e está a preparando um enorme negócio, para a venda de tais armas. A situação fica cada vez mais complexa e ele tem de lutar contra tudo e todos para sobreviver e conseguir salvar a família, que acabou por se tornar refém do seu chefe.

Black Dog – Estrada Alucinante foi lançado em 1998 nos EUA e foi produzido pelo estúdio Universal Pictures. A direção é de Kevin Hooks e o filme tem duração de 89 minutos. Para ver um pouco mais, vá até a página oficial do filme clicando aqui. Embora não seja nenhum primor cinematográfico, vale pela lembrança do falecido ator Patrick Swayze, vítima do câncer. O caminhão utilizado no filme é um Peterbilt 379. A descrição da trama foi baseada no verbete dedicado ao filme na Wikipédia em português.

Já em Aventureiros do Bairro Proibido, a bem da verdade, há muito pouco de caminhões. Exceto pelo personagem principal, que é o caminhoneiro Jack Burton, interpretado por Kurt Russell. Há de tudo: lutadores de kung fu, magos, monstros, uma bela donzela chinesa de olhos verdes raptada por um feiticeiro, um grupo de resgate formado pelos mocinhos e por aí vai. Nos primórdios dos efeitos especiais, é uma obra até muito bem produzida. Pena que o caminhão do protagonista apareça tão pouco.

O filme foi lançado em 1986 e foi produzido pelo estúdio 20th Century Fox. A direção é de John Carpenter, diretor de filmes envolvendo vampiros, monstros e todo tipo de ser sobrenatural – num tom que sempre oscila entre a aventura e o humor. A fita tem duração de 99 minutos.

 

Televisão

Algumas produções nacionais também ficaram marcadas em nossa memória. A mais famosa, muito provavelmente, foi a série Carga Pesada. Com Pedro (Antônio Fagundes) e Bino (Stênio Garcia) ao volante, muitas foram as aventuras pelo interior do Brasil. A série foi ao ar em dois momentos distintos. Da primeira vez, entre 1979 e o início de 1981. Na segunda fase, com o reencontro dos velhos amigos já um tanto grisalhos, entre 2003 e 2007. Carga Pesada teve seus altos e baixos. Na primeira fase de exibição, merece destaque o fato da vida dos caminhoneiros ser retratada de maneira franca e objetiva: as dificuldades da profissão, o longo tempo fora de casa, as estradas esburacadas, o caminhão sem tanto conforto… Em sua segunda fase, muito embora o talento de Fagundes e Garcia possa ser apreciado, a “realidade” sai um tanto de foco. O caminhão é novo, a estrada é mais bonita, os amigos estão – quase sempre – de bom humor. Uma visão um pouco menos realista da profissão da boleia. Críticas à parte, Carga Pesada é um documento fundamental para o reconhecimento dessa profissão tão útil ao desenvolvimento do país.

Finalizando, para quem quer acompanhar o cotidiano dos caminhoneiros nos dias de hoje, há duas opções. A primeira, muito triste, aparece nos noticiários todos os dias. Basta ver os muitos acidentes que envolvem caminhões. Vítimas de nossas estradas, das jornadas de trabalho excessivas, das próprias imprudências… Para quem quiser algo mais “leve”, no canal de televisão por assinatura The History Channel é possível ver as séries Caminhoneiros do Gelo e Estradas Mortais. No primeiro caso, você pode ver caminhões gigantescos cruzando o Alasca, deslizando em estradas cobertas de gelo. No segundo, tivemos a “excursão” de caminhoneiros americanos à Índia. Neste país, a condição das estradas é tão precária que até o pior trecho da Transamazônica parece em bom estado. Deve estrear, no final de março/2012, uma nova temporada de Estradas Mortais. Dessa vez, o desafio será na Cordilheira dos Andes. Entre uma estrada e outra, também é possível ver a heroína das caminhoneiras, a bela carreteira Lisa Kelly.

Música

Uma das obras que mais emocionam as boleias de nosso país é de autoria da dupla Milionário e José Rico. Qual caminhoneiro não cruzou as estradas do Brasil escutando o clássico Estrada da Vida? Sua letra melancólica mostra o calvário daqueles que buscam um destino que parece nunca chegar. Aliás, uma das características mais interessantes dessa dupla diz respeito à ironia de seu próprio nome. Os cantores, com uma vida sofrida, batalhando em busca do sucesso, faziam graça das dificuldades enfrentadas. E parece que a tal estrada da vida é longa mesmo, afinal eles estão na ativa até hoje! Ouça a música, logo abaixo:

 

 

Em tom mais “heroico”, temos Cowboy do Asfalto, da famosa dupla sertaneja Chitãozinho e Xororó. Nós, do Portal Transporte Seguro, não gostamos muito da visão romantizada que, muitas vezes, é estabelecida sobre os trabalhadores do transporte rodoviário de cargas. A rotina é dura, com jornadas de trabalho puxadas, muito serviço, muitos riscos e poucos ganhos. Mas nem tudo é sofrimento, não é mesmo? Também há o sentimento de companheirismo entre esses trabalhadores, as boas histórias das estradas, a possibilidade de conhecer o Brasil e assim por diante. Já que, muitas vezes, mostramos as tristezas dessa profissão, vejamos, também, um pouco de seu aspecto mais feliz com Cowboy do Asfalto:

 

 

E quantos carreteiros não abandonam a mulher amada em casa para enfrentar as estradas? Muitas vezes, um caminhão é o lar de toda uma família. No entanto, nem sempre é assim. Como levar a esposa e os filhos em um velho Mercedes-Benz 1113 com sua cabine apertada? Creio que foi pensando nesses trabalhadores solitários da estrada que Roberto Carlos compôs a belíssima Caminhoneiro. Então, se você está sozinho ao volante, pensando no retorno ao lar, cuidado ao escutar essa música! As lágrimas podem rolar. Além disso, com o aumento do número de mulheres nessa profissão, a música também poderia se chamar Caminhoneira. Muitas delas também deixam seus amados em casa, antes de encarar o volante e o asfalto. Vamos ouvir a música?

 

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