Prefeitura de São Paulo libera VUCs na Zona Máxima de Restrição à Circulação

Esse é o nosso planejamento viário. E algumas pessoas ainda tem a coragem de dizer que a responsabilidade pelos engarrafamentos é dos caminhões…

A prefeitura de São Paulo liberou, no dia de ontem (17/05/2012), a circulação dos VUCs na Zona Máxima de Restrição à Circulação da capital paulista.

Os VUCs são os Veículos Urbanos de Carga. Possuem 6,30 metros de comprimento e 2,20 metros de largura. Esse tipo de veículo foi criado nos anos 1990 com o objetivo de facilitar entregas em grandes centros urbanos – que possuem ruas estreitas e dificuldades para o deslocamento de caminhões de maior porte. O VUC se destaca, portanto, por suas pequenas dimensões e facilidade de manobra.

A Zona Máxima de Restrição à Circulação, ZMRC, por sua vez, compreende todo o centro de São Paulo – uma área de 100 quilômetros quadrados. A ZMRC é delimitada pelas seguintes vias:

  • Marginal Pinheiros,
  • Avenida dos Bandeirantes,
  • Complexo Viário Maria Maluf,
  • Avenida do Estado,
  • Avenida Tiradentes,
  • Avenida Mofarrej,
  • Avenida Queirós Filho.

Tal liberação é fruto, entre outros fatores, da pressão e constante negociação do SETCESP (Sindicato das Empresas de Transportes de Carga de São Paulo e Região) junto à prefeitura de São Paulo. Desde 2008, os VUCs estavam liberados para circular na ZMRC das 10:00 às 16:00. Agora, pelo Decreto 53.149/12, assinado pelo prefeito Gilberto Kassab e publicado no Diário Oficial do Município de São Paulo no dia de ontem, a circulação dos VUCs na ZMRC pode ocorrer em qualquer horário. No entanto, outras regras continuam valendo:

  • O rodízio municipal de veículos deve ser respeitado;
  • O VUC precisa estar cadastrado na Secretaria Municipal de Transportes. Atualmente, 6500 caminhões de pequeno porte já possuem tal autorização. O VUC flagrado circulando pelas ruas da ZMRC sem o devido cadastro renderá ao seu motorista uma infração leve, multa de R$ 85,12 e 4 pontos na CNH (Carteira Nacional de Habilitação). Para solicitar uma autorização para circulação de seu veículo, você pode clicar aqui;
  • As demais restrições à circulação, para outros tipos de veículos de carga, continuam em vigor normalmente.

Opinião Transporte Seguro

O Portal Transporte Seguro já abordou as restrições à circulação de caminhões em grandes centros urbanos em outros textos. Devemos dizer que, ao longo dos últimos meses, nossa opinião não mudou. Somos favoráveis a qualquer iniciativa de planejamento urbano e/ou logístico, de caráter estrutural, que seja realmente capaz de resolver os problemas de circulação de veículos em nossas cidades. Não somos favoráveis, porém, às análises superficiais que consideram os caminhões os principais responsáveis pelo trânsito caótico que aparece, com grande frequência, nas manchetes de revistas e jornais.

Desde o governo de Juscelino Kubitschek (1956-1961), o Brasil fez uma clara escolha pelo modal rodoviário de transporte de cargas e passageiros. Para utilização desse modal, quanto ao transporte de cargas, o principal protagonista é o caminhão.

Por outro lado, historicamente, a cidade de São Paulo – e praticamente todas as capitais brasileiras – trata muito mal o usuário do transporte público. Ainda esta semana, assistimos, estarrecidos, a um acidente com o choque entre composições do metrô paulistano.

Essa combinação de fatores produz um resultado muito ruim:

  • Caminhões, em profusão, precisam atravessar a cidade de São Paulo todos os dias, para cumprir com os mais diversos compromissos de distribuição e logística;
  • Quem tem carro não se arrisca em ônibus sempre lotados e vagões do metrô que mais parecem latas de sardinha.

Diante de tal situação, nossos representantes e seu time de gestores produzem “soluções” estapafúrdias que mal arranham a superfície do problema. A moda, atualmente, é a “restrição à circulação de caminhões”. Vejam:

  • Temos uma malha ferroviária absolutamente insuficiente para as dimensões de nosso país e sua ampliação ocorre de forma muito lenta;
  • Nosso sistema de transporte hidroviário é minúsculo;
  • Os metrôs de nossas capitais possuem dimensões muito restritas e nossos sistemas de transporte por ônibus são constrangedores de tão ineficientes;
  • Nossas rodovias estão, em sua grande maioria, ultrapassadas, sobrecarregadas e mal conservadas;
  • O precário planejamento urbano de nossas metrópoles dá margem ao crescimento desordenado e impõe todo tipo de dificuldade à correta engenharia de tráfego.

Diante desse cenário desolador, qual a solução de muitos prefeitos? A proibição à livre circulação de caminhões. Ninguém espera que um bitrem seja autorizado a circular pelo centro de São Paulo. Mas qual era o sentido da proibição aos VUCs? E ainda: qual o sentido das restrições aos caminhões nas Marginais? Ora, essas vias foram pensadas exatamente para o tráfego pesado, envolvendo a circulação de pessoas e, também, a distribuição de produtos.

Como diria o falecido Leonel Brizola, “essa moçada continua querendo curar câncer com injeção de cibalena”. Há dois principais prejudicados por esse tipo de medida superficial:

  • O consumidor: pois os aumentos dos custos de logística são invariavelmente incorporados aos preços dos produtos;
  • O transportador autônomo, que precisa se virar para encontrar rotas cada vez mais exóticas para circulação com seu caminhão. A grande transportadora pode encontrar meios, ainda que custosos, de organizar suas operações logísticas levando em conta as crescentes restrições de circulação. Mas gostaríamos de perguntar aos prefeitos: o autônomo, solitário em seu caminhão, o que pode fazer? Não pode nem protestar. Pois quando entra em greve é classificado como “chantagista” e “irresponsável”.

Enfim, uma situação absurda.

—–

Equipe do Portal Transporte Seguro.

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Comentários

  1. Alexandre diz:

    Comprei um furgão justamente para não entrar na tal restrição,mas não teve jeito,
    Não fui informado que era preciso pedir uma autorização para poder circular,resultado,estão chegando multas uma atrás da outra até duas no mesmo dia.
    No final o sonho de se tornar autônomo acabou e se os órgãos competentes não aceitarem minha defesa a minha vida profissional também acabou!
    É por isso que esta faltando profissionais na areá ,desse jeito fica difícil.

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