Porto Seguro: uma seguradora que encara o mercado de forma diferente

Fonte: Portal Exame.com

O empresário Jayme Garfinkel, fundador da Porto Seguro Seguros. Atualmente, ele possui 40% da seguradora. Imagem retirada de www.epocanegocios.globo.com.

São Paulo - Pode-se acusar o mercado financeiro de tudo, menos de ser paciente. Quan­do uma empresa familiar abre o capital, logo se diz que caberá ao fundador “se adaptar” às exigências de investidores, analistas, jornalistas e quem mais faça parte dessa instituição conhecida como “mercado”: quem pensava de 30 em 30 anos tem de pensar de três em três meses, seja lá isso bom ou ruim para o negócio.

É como pensa o “mercado”, e ponto final. Volta e meia, no entanto, surge um empresário que não demonstra interesse algum em seguir essa cartilha — o que, fatalmente, resulta em briga. É o que vem acontecendo com o paulista Jayme Garfinkel, fundador da Porto Se­gu­ro, quarta maior seguradora do país, com receitas de 10 bilhões de reais em 2011.

Há quase três anos, Garfinkel decidiu vender parte de sua empresa para o Itaú Uni­banco. Os investidores ficaram encantados com a promessa de sinergias que uma fusão como essa costuma trazer: a ação da Porto subiu 9% no dia do anúncio. Mas, recentemente, o mercado passou de eufórico a depressivo.

Para os ana­listas, está demorando para que os ganhos da fusão apareçam nos re­sul­tados, e eles pedem mais pressa na in­te­gração. Garfinkel tem uma resposta pronta: “Nunca fiz e não vou fazer nada às pressas”, disse ele a EXAME. “Os ana­listas que pensem o que quiserem. Não vou tomar nenhuma decisão para valorizar as ações no dia seguinte.”

De um ano para cá, os acionistas da Porto — entre eles o próprio Garfinkel, que ainda é dono de 40% da empresa — têm sofrido um bocado. As ações caí­ram quase 25% no último ano, o que representou uma perda de 800 milhões de reais para o empresário. Ao contrário do que se esperava, os resultados da Porto após a parceria com o Itaú pioraram em vez de melhorar.

Ainda que con­tinue líder no segmento de apólices de automóveis, sua participação de mer­cado caiu. O mesmo ocorreu com rentabilidade e lucro. É verdade que 2011 não foi um período fácil para quem vende seguros de automóveis, ramo que responde por quase 60% da receita da Porto.

“O número de roubos e furtos de carros bateu recorde e pequenas empre­sas fizeram promoções agressivas, o que corroeu as margens do setor”, diz Luiz Castiglione, consultor especializado em seguros. Mas, em razão do acordo com o Itaú, a expectativa era que a Porto passasse por essas dificuldades de forma mais suave, o que não ocorreu.

Os sistemas de tecnologia do Itaú e  da Porto, por exemplo, ainda funcionam de forma totalmente separada (em fusões bem mais complexas, como a do próprio Itaú com o Unibanco, os sistemas foram integrados em dois anos). Além disso, não há incentivos para que os gerentes do Itaú vendam seguros do parceiro.

A ordem é, primeiro, oferecer a apólice do próprio banco — e só mostrar algum produto da Porto se o cliente pedir. Os analistas estrilam. Garfinkel diz que a integração acontece lentamen­te porque é preciso negociar a mudança com os corretores que trabalham para a empresa — um batalhão de 20.000 profissionais que respondem por 95% das vendas e que ficariam insatisfeitos se as apólices da Porto também fossem vendidas pelos gerentes do Itaú.

“Não queremos deixar nossos parceiros na mão, porque, sem eles, estaríamos acabados”, diz Garfin­kel. O resultado é que apenas 5% das vendas de 2011 foram feitas nas agências (a expectativa era que o número estivesse em 15% atualmente).

Desafios

Como Garfinkel pretende ganhar dinheiro daqui para a frente? Sua estratégia é continuar fazendo a integração de forma lenta. A meta é que, até 2014, 10% das vendas sejam feitas pelas agências do Itaú. Enquanto isso, ele lançará novos produtos, como seguros rurais e apólices que custem até 10 reais­ por mês.

Apesar dos problemas do último ano, a Porto continua sendo uma das seguradoras mais rentáveis do mercado — sua margem de lucro no segmento de automóveis é 3 pontos percentuais superior à média da concorrência. Finalmente, quando se olha a floresta, e não a árvore, o jeitão “tô nem aí” de Garfin­kel se transforma num inegável bom negócio para os investidores.

As ações da Porto Seguro valorizaram 325% desde sua abertura de capital, em 2004 — enquanto dezenas de empresas que foram à bolsa de lá para cá valem menos do que valiam no dia da estreia. Eis o paradoxo: não seguir a cartilha do mercado pode ser a melhor forma de agradá-lo.

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Matéria: “A Porto Seguro não está nem aí para o mercado”. A matéria foi publicada no Portal Exame.com, com autoria de Lucas Amorim (Revista Exame). Para ler o texto diretamente no Portal Exame.com, clique aqui.

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OBSERVAÇÃO IMPORTANTE: O logotipo da Porto Seguro Seguros foi utilizado com o intuito exclusivo de ilustração à matéria jornalística que cita a referida seguradora. A marca Porto Seguro e seus símbolos são de propriedade da Porto Seguro Seguros. A utilização do logotipo – com propósitos meramente ilustrativos – não significa qualquer endosso da Porto Seguro Seguros a este Portal ou suas publicações.

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Comentários

  1. Antonio diz:

    Interessante essa matéria! Sinal dos tempos em mutação? Apenas mais uma aposta errada? Para onde caminha o mercado?

    • Prezado Senhor Antonio,

      Gostaríamos de expressar nossa satisfação por tê-lo como um de nossos mais fiéis seguidores. Isso demonstra que nosso trabalho tem agradado leitores muito exigentes.

      Quanto ao caso da Porto Seguro Seguros, em nossa humilde avaliação, trata-se de um exemplo de sobriedade e equilíbrio na condução de negócios. O senhor Jayme Garfinkel, ao recusar as pressões imediatistas do mercado, apenas deixa de dar ouvidos aos mesmos analistas que aplaudiram, ao longo de uma década, as medidas de empresas e governos responsáveis por criar a atual crise que varre o globo.

      Além disso, cabe ressaltar o fato de que a Porto Seguro valoriza e respeita seus principais parceiros de negócios: os corretores de seguros. Enquanto algumas corporações, de forma arcaica, enxergam o corretor como “inimigo”, a Porto Seguro, em sentido contrário, com o apoio desses profissionais, mantém uma posição de liderança no mercado.

      A Equipe do Portal Transporte Seguro agradece sua visita e espera que continue a acompanhar nosso trabalho!

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